Um dia para refletir, nada a comemorar!

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Hoje é um dia de reflexão.  Sei que muitos nem sabem ou, se souberam, pensou um pouco e logo em seguida seguiu a vida.

Estou falando do dia Nacional da Luta dos Portadores de Deficiência Física.

A nomenclatura da data comemorativa é antiga e não mais politicamente correto. Indiretamente o nome nos remete uma idéia de que pessoas que nascem com algum tipo de deficiência física e mental, são “produtos” com defeito de fábrica. Pois o que é defeituoso já não serve para nada, substituindo por um novo e sem defeito. Humanos não são produtos e os “defeitos” não o invalidam diante dos outros.

O Correto é se referir a essas pessoas como Portadores de Necessidades Especiais (PNE).

De fato, são pessoas que nasceram com limitações, é verdade, por isso deve-se ter um cuidado a mais, com ajuda mais específica e especial.

Não se trata de tratarem como os “coitadinhos”. Todo o tipo de preconceito é inadmissível. Tanto quanto os étnicos, raciais, estéticos ou físicos, todos são inadmissíveis. Não há melhor ou pior nisso, mas há um diferencial negativo quando se trata do preconceito em relação aos PNE’s. Tratá-lo como coitados! Quando não, confundir limitações físicas com invalidez plena.

O grande problema enfrentado por essas pessoas é a desinformação. O Estado tem suas Políticas e Planos nacionais voltado para a área. Muitos são bons, outros totalmente paternalistas e eleitoreiros.  Mas o problema não é atender, mas ir de encontro a essas pessoas.

O Brasil ainda detém uma grande parcela de famílias, cujos pais são analfabetos. Estes, por pura falta de esclarecimento, deixam seus filhos em casa afastados das pessoas e do convívio social. Em sua mentalidade, os pais acreditam que é um sofrimento que compete exclusivamente a eles carregarem consigo, sendo inadmissível dividir o trabalho. Dar trabalhos aos outros, o que é de responsabilidade única da família.

Assim muitas dessas pessoas perdem o usufruto dos benefícios dado ao Estado, como acessibilidade à educação, mercado de trabalho e outros benefícios.

Andando pela cidade, vejo um cadeirante, trabalhando no semáforo vendendo algo para o sustento de sua família. É de partir o coração. Eu o pergunto porque ele estava ali, quando mostra os seus problemas. Digo-o que não há necessidade de ficar daquele jeito. Se não estudou, o governo o incluirá. Se sim, o Estado tem medidas de inclusão ao mercado de trabalho. As empresas privadas “caçam” pessoas com necessidades especiais, pois a lei exige e em contra partida o governo concede benefícios a elas. No serviço público, uma infinidade de vagas são abertas, mas nenhuma entra na disputa, não porque não passam, mas, pasmem, não há inscritos.

Peguemos este rapaz a que me referi. De vendedor de bala em semáforo. Poderia ter estudado, feito faculdade e ainda por cima, estar num ótimo emprego, tanto privado ou público. Pode comprar um carro com preço diferenciado e adaptado. Em alguns casos financiar a casa própria.

Há quem diga que tudo isso não passa de paternalismo barato. Dar oportunidade de acesso? Dar oportunidade de crescer como pessoa e como profissional? Dar a liberdade intelectual e autonomia de vida?

Paternalismo é dar ajuda de custo à família, que continuará na mesma situação. É distribuir cadeiras de rodas, bengalas e aparelhos auditivos, mas manterem na mesma condição: a limitação intelectual. Imaginem se Stephen Hawking, doutor em cosmologia, tivesse nascido no Brasil.

Eu me revolto porque pessoas assim jamais conseguirão ter o respeito merecido. A oportunidade merecida. A dignidade merecida. Tudo porque não se sabe, não se tem a informação que pode mudar a vida dessas pessoas.

Reflita um pouco comigo: Imagine quantas e quantas pessoas nessas condições, não teriam suas vidas modificadas se soubessem que há programas e planos estatais para essas pessoas?

Por isso acho que é louvável ter um dia, não de comemoração, pois não temos nada a comemorar, mas um dia de reflexão. Pois a vida dessas pessoas é realmente uma luta.

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